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Campos dos Goytacazes · Rio de Janeiro

Memorial Cambahyba

O Memorial Cambahyba é um espaço de memória, pesquisa e reflexão dedicado à história da antiga Usina Cambahyba e às trajetórias de luta, resistência e transformação que atravessam esse território.

Mais do que preservar o passado, o Memorial busca conectar memória, verdade e justiça aos desafios do presente. Por meio de documentos, relatos, imagens, pesquisas e produções audiovisuais, este espaço digital reúne e compartilha histórias fundamentais para a compreensão da região e de suas comunidades.

O Memorial

Memória e desenvolvimento caminham juntos

A iniciativa nasce do compromisso com a defesa dos direitos humanos e com o direito coletivo à memória. Ao recuperar histórias muitas vezes silenciadas e reconhecer os sujeitos que construíram e continuam construindo esse território, o Memorial Cambahyba contribui para fortalecer uma consciência histórica capaz de transformar o presente e imaginar outros futuros.

Esse compromisso também se materializa nas ações desenvolvidas hoje no território: na produção agroecológica, na recuperação ambiental, na formação profissional, na geração de trabalho e renda e no fortalecimento das comunidades locais. Memória e desenvolvimento caminham juntos na construção de um território socialmente justo e ambientalmente sustentável.

O Memorial se desdobra em pesquisa histórica, conteúdos digitais e produções audiovisuais, criando diferentes caminhos para conhecer Cambahyba, suas histórias e as pessoas que fazem parte delas.

Conhecer essa história é também compreender o presente. Preservá-la é contribuir para que ela continue viva.

História

Três camadas de uma mesma paisagem

Século XX — 1990

A Usina Cambahyba

A história da Cambahyba está profundamente ligada à formação econômica e social de Campos dos Goytacazes e à importância que a produção de açúcar e de cana-de-açúcar teve no Norte Fluminense ao longo de séculos.

Durante o século XX, a Usina Cambahyba integrou um dos mais importantes complexos agroindustriais da região. Ao seu redor, extensas áreas de cultivo, instalações industriais e moradias de trabalhadores formavam um território organizado em função da produção canavieira. A usina empregou centenas de pessoas e fez parte de um modelo econômico que marcou profundamente a paisagem, as relações de trabalho e a distribuição da terra em Campos.

Mas a história de Cambahyba não pode ser contada apenas pela produção de açúcar. Ela também revela as profundas desigualdades que atravessaram a formação do território brasileiro: a concentração da propriedade da terra, as relações de poder estabelecidas em torno dos grandes complexos rurais e as condições de vida e trabalho de gerações de trabalhadores e trabalhadoras do campo.

Com o encerramento das atividades industriais, na década de 1990, as terras da antiga usina passaram a ser objeto de uma longa disputa em torno de sua destinação e de sua função social.

Hoje, olhar para Cambahyba significa enxergar as diferentes camadas de uma mesma paisagem. Um território marcado pela indústria do açúcar, pelas relações de trabalho, pela violência política e, também, pelas lutas daqueles que reivindicaram o direito à terra, à memória e a novos futuros.

1964 — 2014

Ditadura e Memória

Entre as muitas histórias que atravessam Cambahyba, uma das mais dolorosas está relacionada à ditadura militar brasileira, instaurada em 1964.

Em depoimentos tornados públicos a partir de 2012, o ex-delegado Cláudio Guerra afirmou ter transportado para a Usina Cambahyba corpos de opositores políticos assassinados pelos órgãos de repressão do Estado. Segundo seu relato, os corpos teriam sido incinerados nos fornos da usina como parte de uma operação destinada a eliminar vestígios dos crimes e impedir que as famílias conhecessem o destino de seus parentes.

As denúncias passaram a integrar as investigações sobre graves violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade realizou uma diligência na antiga Usina Cambahyba, acompanhada por peritos e pelo próprio Cláudio Guerra. A investigação constatou que as características dos fornos eram compatíveis com as circunstâncias descritas em seu depoimento.

A história de Cambahyba passou, assim, a integrar a geografia da repressão política brasileira e, principalmente, a luta das famílias de mortos e desaparecidos pelo direito à verdade.

Preservar essa memória significa reconhecer que os crimes de Estado não terminam com suas vítimas: eles atravessam famílias, comunidades e gerações. Significa também combater o esquecimento e reafirmar a democracia como um valor que precisa ser permanentemente construído e protegido.

Transformar Cambahyba em lugar de memória é devolver à sociedade uma história que se tentou apagar. É afirmar o direito de lembrar para que a violência não se repita.

1998 — 2023

Reforma Agrária

A história recente de Cambahyba também é uma história de transformação.

Após o encerramento das atividades da usina, parte de suas antigas propriedades passou a ser reivindicada para fins de reforma agrária. Em 1998, terras do complexo foram declaradas de interesse social, dando início a um longo processo administrativo, judicial e político que atravessaria mais de duas décadas.

Nesse período, trabalhadores e trabalhadoras rurais organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e por outras organizações mantiveram viva a reivindicação de que aquelas terras cumprissem uma nova função social. Ocupações, acampamentos, produção agrícola e mobilizações públicas transformaram Cambahyba novamente em território de luta.

Um dos personagens centrais dessa trajetória foi Cícero Guedes, trabalhador rural e liderança do MST, reconhecido por sua atuação na defesa da reforma agrária e da agroecologia no Norte Fluminense. Cícero foi assassinado em 2013, nas proximidades da antiga Usina Cambahyba. Sua memória tornou-se símbolo da luta pela terra na região.

Em 23 de agosto de 2023, depois de décadas de mobilização e disputas judiciais, o Incra oficializou a criação do Assentamento Cícero Guedes em terras pertencentes ao antigo complexo da Cambahyba. A área destinada à reforma agrária reúne aproximadamente 1.300 hectares e tem capacidade para receber 185 famílias.

Onde antes predominavam a monocultura, a concentração fundiária e uma estrutura econômica organizada em torno da grande propriedade, surgem hoje outras formas de ocupar e produzir no território: agricultura familiar, agroecologia, recuperação ambiental, formação e organização comunitária.

A reforma agrária acrescenta uma nova camada à história de Cambahyba. O território que carrega marcas de exploração, violência e silenciamento passa também a abrigar experiências de produção, resistência e reconstrução coletiva.

Depoimentos

As pessoas que viveram essa história

Dez vídeos curtos, produzidos pelo projeto, reúnem relatos de quem atravessou a história de Cambahyba — da usina ao assentamento.

Aguardando os vídeos

A grade e o player já estão prontos. Assim que os dez vídeos estiverem no YouTube, basta informar os IDs — o player carrega só a miniatura e monta o iframe no clique, para a página não puxar dez megabytes de uma vez em rede móvel.

Acervo

Fotografias e vídeos

Registros da usina, do território e das mobilizações que transformaram Cambahyba. O acervo cresce conforme a pesquisa histórica avança.

Fotografias

Imagens da antiga usina, das ruínas e da vida no Assentamento Cícero Guedes.

Em montagem

Vídeos

Registros audiovisuais da pesquisa, das diligências e das ações no território.

Em montagem

Contato

Fale com o Memorial

Para pesquisa, imprensa, doação de acervo ou depoimento. Se você tem uma história, um documento ou uma fotografia ligada a Cambahyba, ela tem lugar aqui.

Redes sociais

Instagram e YouTube — em criação.